Crise no Ensino da Escrita: uma reflexão para mudar o país

Daniel Machado Textos de educação

No ano de 2014, seis milhões de alunos fizeram o ENEM e os resultados da prova escrita foram desastrosos: quatro milhões de estudantes obtiveram menos de 60% de proficiência na prova de redação, sendo que 529 mil “zeraram” esta mesma prova. Por outro lado, apenas 250 alunos obtiveram a nota total, de 1000 pontos, representando 0,004% dos alunos que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio. Após a divulgação dos resultados, os meios de comunicação investigaram o segredo dos alunos que obtiveram nota máxima na redação e chegaram a um consenso: todos eles redigiram no mínimo um texto por semana, o que comprova que quanto mais redações um estudante fizer, maior será sua chance de melhorar seu desempenho e alcançar melhores resultados. E porque os cursinhos e escolas não exigem que seus alunos façam uma redação por dia, ou pelo menos uma redação por semana?

Crise no Ensino da Escrita: uma reflexão para mudar o país

Nas escolas públicas o problema é evidente, professores desamparados de uma política séria e eficiente fazem o que podem, mas faltam profissionais, qualificação, planejamento, estrutura, inteligência pedagógica, compromisso, etc. Mas por que as escolas particulares e cursinhos também falham no ensino da redação?

Existe um erro na metodologia de ensino!

Diferentemente das outras disciplinas, a redação não é uma matéria objetiva. Quando um aluno faz exercícios de matemática ele pode ir ao final do livro e encontrar a respostas que precisa, pois a soma de dois mais dois sempre será igual a quatro. Se necessário poderá tirar as dúvidas com colegas ou com seu professor, mas na redação a resposta não é exata, objetiva, existem infinitas formas de redigir um bom texto. Isso significa que cada professor teria que dedicar cerca de 20 minutos para analisar a redação de cada aluno e escrever comentários que possam auxiliá-los melhorar a escrita. Em caso de dúvidas, ele também não tem a quem recorrer, uma vez que o texto é subjetivo e o professor teria que deixar de dar atenção ao resto da turma para se dedicar exclusivamente a um aluno.

Colocar corretores de texto em sala de aula para auxiliar os professores e aumentar a quantidade de textos corrigidos é uma solução que deveria ser adotada por todos, especialmente no Ensino Público, contudo, poucas são as escolas no Brasil que contam com estrutura de corretores para atender seus alunos.

O problema da escrita no Brasil não pode ser mais negligenciado.

Precisamos debater o tema incansavelmente, mostrando aos alunos, pais, governos e instituições de ensino a importância de se saber escrever na formação do indivíduo e de seu futuro profissional.

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