No dia 20 de julho, foi anunciado o edital referente à 6ª edição do Exame Nacional de Residência, o Enare 2025/2026, organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Enare edital deste ano mantém a proposta do projeto de centralizar o processo seletivo para o ingresso nos programas de residência médica, e, de novo, conseguiu reunir um número significativo de instituições participantes, bem como uma ampliação do número de vagas.
Esta edição terá mais de 11 mil vagas, sendo que 6.900 serão destinadas para residência médica, superando as vagas da edição do ano passado. É importante enfatizar, também, que, para as vagas de acesso direto do Enare, o candidato deverá realizar a prova do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Integração do Enamed no Enare
Em 2025, o Enare passou por algumas mudanças. Talvez, a mais importante seja a integração com o Enamed. Nesse sentido, para as vagas de residência médica de acesso direto, a prova do Enare foi substituída pelo Enamed, um novo exame obrigatório e gratuito para todos os estudantes de medicina que estão a caminho de concluir o curso.
Os médicos que já se formaram e buscam as vagas de acesso direto também precisam realizar a prova. Todavia, a nota do Enamed terá validade de até três anos, assim como a Prova Nacional Docente (PND). No caso do Enamed, a nota será usada no Enare, simplificando e agilizando o processo seletivo.
No entanto, para as vagas com pré-requisito e para as residências multi e uniprofissionais, o Enare continua com sua prova própria. Nestes casos, os candidatos deverão realizar a prova específica para sua área de interesse, conforme o modelo tradicional adotado nas edições passadas.
Todavia, é preciso chamar a atenção para o fato de que a prova não é somente um tipo de regulamento ou processo seletivo pautado em questões puramente burocráticas, no que se refere ao exercício da profissão. Na realidade, vai além.
O processo seletivo, no geral, da forma como foi pensado, concebido e estruturado ao longo do tempo, provoca reflexão sobre como avaliamos as trajetórias acadêmicas e como podemos refletir sobre o desempenho de forma justa e integrada.
Qual o papel do Enare?
O principal papel do Enare, além de inserir os estudantes de medicina no mercado de trabalho, é fazer com que os profissionais vivenciem a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão que sustenta os cursos de graduação no Brasil. Busca, portanto, avaliar competências, valorizando a consistência da formação médica e a capacidade de aplicar o conhecimento em situações reais.
Este olhar aproxima o exame de modelos internacionais que já tratam a avaliação como parte de um processo contínuo, e não como um evento isolado no tempo e no espaço. Trata-se, em última instância, de um ponto de aprendizado importante não apenas para faculdades de medicina, mas para todo o sistema educacional.
No fim, o Enare foi criado em 2019 e teve em 2020 seu primeiro exame. Desde então, sofreu muitas transformações. Com o passar do tempo, os editais deixam claro que a ideia é ir além de uma análise meramente quantitativa. Avaliar, neste contexto, tornou-se sinônimo de acompanhar, orientar e dar sentido à trajetória profissional.
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