A inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda representa um desafio significativo no Brasil, especialmente quando se consideram as barreiras sociais, educacionais e estruturais que limitam a participação plena desses indivíduos na sociedade. Apesar dos avanços legais e do aumento da conscientização, muitas pessoas com autismo continuam enfrentando dificuldades no acesso à educação de qualidade, ao mercado de trabalho e a serviços especializados. Para te ajudar nos estudos e na escrita acerca dessa temática que pode cair nos vestibulares, confira repertórios socioculturais e uma redação pronta sobre o tema “Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil“.
O que falar sobre o tema do autismo?
Ao abordar o tema do autismo em uma redação, é importante destacar que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferentes níveis de suporte, afetando principalmente a comunicação, a interação social e o comportamento.
Nesse sentido, vale mencionar a diversidade dentro do espectro, combatendo estereótipos e reforçando a importância do respeito às individualidades. Além disso, dados sobre diagnóstico, acesso a terapias e inclusão escolar ajudam a contextualizar o problema no Brasil.
Outro ponto relevante é discutir os desafios enfrentados por pessoas autistas e suas famílias, como a falta de profissionais especializados, a dificuldade de inclusão no ensino regular e as barreiras no mercado de trabalho. Também é fundamental apresentar caminhos para a solução, como políticas públicas mais eficazes, formação de professores, campanhas de conscientização e garantia de direitos.
Repertórios socioculturais para a sua redação sobre autismo
Confira boas referências socioculturais para a sua redação sobre o tema do autismo:
Atypical (2017-2021)
O personagem principal da série da Netflix, Sam Gardner, é autista. Ele possui fala rápida, assim como dificuldades na socialização e expressão corporal, por exemplo. A produção acompanha a vida e os desafios que Sam enfrenta em sua rotina, como relações sociais, autonomia e inclusão.
A série contribui para humanizar o tema, mostrando que pessoas autistas têm desejos, sentimentos e potencialidades, além de evidenciar as dificuldades impostas por uma sociedade pouco preparada para lidar com a diversidade.
Life, Animated (2016)
O filme-documentário conta a história real de Owen Suskind, um adulto que possui autismo. Aos poucos, ele desenvolveu uma forma especial de superar as dificuldades na fala para se comunicar com a família: por meio de filmes da Disney.
Lei Berenice Piana
Outro repertório importante é a Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012), que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA no Brasil. Essa legislação reconhece pessoas com autismo como pessoas com deficiência para todos os efeitos legais, garantindo acesso a direitos como educação inclusiva e atendimento especializado.
No entanto, sua existência também permite problematizar a distância entre a teoria e a prática, já que muitos desses direitos ainda não são plenamente efetivados no país.
Lev Vygotsky e o papel do meio social
Além disso, pode-se citar o pensamento do psicólogo Lev Vygotsky, que defendia a importância do meio social no desenvolvimento do indivíduo. Aplicando essa ideia ao contexto do autismo, é possível argumentar que ambientes inclusivos e adaptados são fundamentais para o desenvolvimento de pessoas com TEA.
Assim, a exclusão não está na condição em si, mas nas barreiras impostas pela sociedade, reforçando a necessidade de políticas e práticas mais inclusivas.
Exemplo de redação sobre o tema ‘Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil’
Na literatura brasileira, Machado de Assis já retratava a discriminação de pessoas com deficiência, na sua obra realista Memórias Póstumas de Brás Cubas, cujo personagem principal se apaixona por uma mulher “coxa”, mas não se casa com ela devido a sua deficiência. Na contemporaneidade, muitos indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos também sofrem com a exclusão social e, dessa forma, os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil tem [1] como pilares a desinformação e o preconceito, além da falta de qualificação adequada dos profissionais da educação, o que se configura como uma chaga social. [2]
Em primeiro lugar, a falta de informação acerca do autismo constitui um dos principais entraves para a inclusão dessas pessoas na sociedade. Destarte alguns avanços na área científica, pouco se sabe sobre essa doença, o que acarreta uma alienação sobre o assunto. Em vista disso, tudo aquilo que é desconhecido causa medo e, como consequência, tem-se a dificuldade de inserir essas pessoas na sociedade, uma vez que a falta de informação leva ao preconceito e à discriminação. Além disso, apenas em 1993 o autismo foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, segundo dados da USP em 2018, o que corrobora a falta de conhecimento sobre o assunto. Portanto, é preciso criar mecanismos que objetivem a informação do corpo social, para, assim, possibilitar a inclusão desses cidadãos. [3]
Outrossim, a falta de capacidade técnica do corpo docente nas escolas é um dos entraves para a educação e socialização das crianças autistas. De acordo com Aristóteles, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a sua realização pessoal e busca pela felicidade. [4] Nesse aspecto, a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista é fundamental para a manutenção do bem estar social. A partir de uma educação de qualidade, que possibilite o desenvolvimento dessas pessoas, é possível minimizar os efeitos da doença, desenvolvê-los e torná-los adultos sociáveis e inseridos na comunidade. [5]
Os desafios para incluir as pessoas com autismo na sociedade são notórios e é preciso que o Estado, por meio do Ministério da Educação proporcione mecanismos de qualificação dos profissionais de educação, com treinamentos, palestras e orientações sobre como proceder com alunos com esse transtorno, para que, assim, eles possam se desenvolver e viver em sociedade. Além disso, o Ministério da Educação deve promover campanhas para informar melhor a população sobre essa tão desconhecida doença, e deve, também, aliar-se à instituição familiar, para que sejam trabalhados valores como respeito e tolerância, a fim de minimizar o preconceito existente e incluí-los no âmbito social. [6][7]
Avaliação da redação
Veja os comentários de correção de acordo com as competências do enem para a redação sobre os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil.
Competência I: demonstrar domínio da norma culta
- [1] Os desafios…têm. Use têm, com acento circunflexo, na terceira pessoa do plural do presente do indicativo.
- [7] Bom domínio da norma culta.
Competência II: compreender a proposta
- [2] Boa introdução demonstrando conhecimento do tema.
- [3] Bons exemplos e argumentos em defesa do ponto de vista.
Competência III: selecionar e relacionar argumentos
- [4] Ótima citação, trazendo um contexto literário para o texto.
Competência IV: conhecer os mecanismos linguísticos para a construção da argumentação
- [5] Demonstra bom domínio dos recursos coesivos.
Competência V: elaborar a proposta de intervenção para o problema
- [6] Boas propostas de intervenção!
Nota: 960








