Sala de Aula: a proposta de intervenção no texto do ENEM

Rodrigo de Oliveira Dicas para corretor de redação

O quinto post da série “sequência didática” tratará sobre os desafios de preparar os alunos para elaboração de uma boa proposta de intervenção. Este é um dos pilares da redação dissertação-argumentativa, tipo de texto exigido na prova do ENEM. E entre os cinco critérios avaliados no exame este item é o que tem a média mais baixa. Só para se ter uma ideia, em 2013, a pontuação média entre todos os candidatos foi de 66.9, dos 200 pontos possíveis de serem alcançados nessa competência. Ou seja: é nesse tópico que os professores têm de redobrar atenção na preparação dos alunos para a prova.

Antes de estruturar uma sequência didática para potencializar o desenvolvimento dos alunos, é importante alinhar-se aos critérios que os avaliadores vão exigir dos candidatos que fizeram a prova. Nós fizemos um post específico sobre o assunto que passa sobre todas as competências do ENEM. Ao acessá-la, verifique o quinto item. Estar em sintonia com o que será cobrado dos alunos facilitar para direcionar o plano de aulas e promover o engajamento dos alunos.

Intitulada “Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural”, esta quinta competência avalia se o candidato trouxe à produção textual alguma ideia para solucionar o conflito trazido no tema. Por isso nesse quesito os examinadores redobram as exigências: embora pareça simples, há questões para as quais os estudantes não se atentam e que acabam prejudicando seu desempenho.

A seguir, traçamos uma sequência didática que pode ajudá-lo a desenvolver nos alunos as habilidades necessárias para se sobressaírem nessa competência e, assim, torná-los aptos a conquistar a nota 1000 na redação do ENEM.

1º passo: Alinhamento sobre o termo

Logo no início da aula, é válido alinhar o conhecimento que se tem a respeito do tema “proposta de intervenção”. Muitas vezes, o aluno associa esse termo à conclusão do texto. Até porque a estrutura mais facilmente de ser identificada por eles é a da redação que tem introdução, desenvolvimento e conclusão. Para ser assertivo na explicação, vale a pena detalhar que a proposta de intervenção tem o compromisso de apresentar soluções viáveis dentro do conflito proposto no tema. E que isso difere de uma simples conclusão ou desfecho do texto em si.

Apresentar a eles que elaborar uma “proposta de intervenção” significa atuar diretamente na solução de um desafio, fundamentado a partir dos argumentos/ opiniões expressos anteriormente. É preciso ter cuidado também para que esse tópico não seja entendido como um bicho-de-sete-cabeças. Trata-se de aliar ao repertório sociocultural individual ao que foi assimilado a partir dos textos de apoio (também conhecidos como textos motivacionais) trazidos no enunciado da redação.

2º passo: Exercício prático

Uma das melhores maneiras de facilitar o entendimento sobre o assunto é propor uma atividade com os próprios alunos. Nesse caso, vale a pena pesquisar anteriormente temas prováveis de serem escolhidos para a redação do ENEM e apresentar aos estudantes textos motivacionais, como numa simulação da prova. A diferença é que ao invés de pedir a prática do texto o ideal é estruturar uma roda de conversa para que sejam pensadas soluções aos desafios apresentados. Pedir a eles que registrem em folhas de papel quais são soluções viáveis para os desafios, a fim de que compartilhem em momento adequado para troca de ideias entre o grupo. Nesse momento, o professor assume papel de mediador para instigar as propostas dos alunos.

3º passo: Vencendo os desafios de elaborar uma proposta de intervenção

Um dos aspectos que se deve alertar os alunos é quanto a ferir os direitos humanos ou a elaboração de propostas extremadas. Vale enfatizar aos alunos que a prova do ENEM preza pela cidadania e, desta forma, é necessários preparar-se entendendo bem o contexto, conhecendo opiniões diferentes sobre um mesmo assunto, para ampliar o repertório e dar mais condições. Com base nisso, instigar no exercício da roda de debates em sala para que se pense o tema sob as perspectivas mais diferentes possíveis. Incentive, ainda, que a pesquisa deles sobre determinado tema sempre procure contemplar opiniões distintas, o que enriquecerá a formação deles.

4º passo: Pensando em soluções individuais e globais

Em sua sequência didática também é importante oportunizar um exercício de que as soluções pensadas tenham dois focos: individual e global. Isso contribui para que eles fujam de propostas muito genéricas, com afirmações muito abrangentes, e os comprometa a pensar em ações menores que podem ser potencializadas em escala global também. Uma alternativa que você pode instigar no aluno é que a solução apresentada por ele responda a algumas questões simples, mas importantes: quem fará o que eu estou propondo? Como será feito? Quais ferramentas ou recursos deverão ser usados? E assim por diante.

5º passo: Prática de texto

Assim como em outras competências, essa sequência didática não poderia ser mais bem desenvolvida do que com a mão na massa. Pedir aos alunos a produção textual o ajudará a fortalecer neles o olhar sobre esse aspecto tão importante que é a proposta de intervenção.

Esperamos que você tenha aproveitado e que esses apontamentos ajudem a desenvolver os seus alunos. Até a próxima!

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