Jogo do Tigrinho, sites de apostas esportivas e outras formas de bets vêm ganhando cada vez mais espaço no dia a dia do brasileiro. Segundo o Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa da Anbima em parceria com o Datafolha, a proporção de adultos que já apostou dinheiro em plataformas digitais chegou a 17% em 2025, avançando frente aos 15% de 2024 e aos 14% de 2023. O hábito segue mais forte entre homens e jovens.
O que começou como uma brincadeira se transformou rapidamente em uma questão de saúde pública: o Brasil já é o 5º maior mercado de apostas online do mundo, e os impactos financeiros e psicológicos de quem se envolve com as bets podem ser bastante profundos.
A urgência atual do assunto tem raízes em mudanças legislativas feitas nos últimos anos e afeta a nossa população de diversas maneiras. Por isso, pode ser um tema de redação dos vestibulares. Pensando nisso, a equipe da Imaginie elaborou um conteúdo completo, para que você tire todas as suas dúvidas e aprenda a escrever sobre o assunto. Ao final, também te mostramos uma redação pronta nota 960 sobre o tema “Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line”. Vamos lá?
O que são as bets e por que elas são consideradas jogos de azar?
As bets e os cassinos virtuais são classificados juridicamente como jogos de azar: modalidades em que o resultado depende da sorte, e não da habilidade do jogador. É esse fator de aleatoriedade que torna impossível calcular com precisão as chances reais de ganhar.
No Brasil, a tradição das apostas é antiga: bingo, caça-níqueis, jogo do bicho e apostas em cavalos fizeram parte do cotidiano de várias gerações, mesmo estando fora da lei. O que mudou nos últimos anos foi a escala: as apostas esportivas e os jogos como o Tigrinho migraram do informal para um mercado bilionário, hoje regulamentado pelo governo federal.
As bets são proibidas por lei?
Depende do tipo de jogo. O Decreto-Lei nº 3.688/1941, a Lei de Contravenções Penais, ainda proíbe boa parte dos jogos de azar tradicionais, como o jogo do bicho, tratando-os como contravenção, e não crime.
As apostas de quota fixa, porém, seguem outro caminho desde 2018, quando a Lei nº 13.756 criou essa modalidade e a equiparou às loterias. É nela que se enquadram as apostas esportivas e os cassinos virtuais. Entre 2018 e 2023, contudo, não havia regras específicas para as empresas, o que abriu espaço para operadoras estrangeiras atuarem no Brasil sem pagar impostos e sem seguir o Código de Defesa do Consumidor.
Como funciona a regulamentação das bets hoje
Esse vácuo normativo foi encerrado com a Lei nº 14.790/2023, conhecida como Lei das Bets, que passou a valer plenamente a partir de 1º de janeiro de 2025. A fiscalização do setor ficou a cargo da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), criada dentro do Ministério da Fazenda.
Hoje, cerca de 80 empresas estão autorizadas a operar no país, reunindo mais de 180 marcas, e precisam cumprir uma série de exigências, entre elas:
- Reconhecimento facial obrigatório para abrir conta, atualizar cadastro e movimentar dinheiro na plataforma
- Depósitos permitidos apenas por Pix ou débito em conta do próprio titular, sem cartão de crédito ou boleto
- Bloqueio automático de menores de 18 anos, pessoas diagnosticadas com ludopatia, atletas e árbitros
- Combate a sites clandestinos, com bloqueio de domínios que não usam a extensão .bet.br
Sobre a tributação, as empresas pagam hoje uma alíquota de 13% sobre o faturamento bruto, com previsão de subir gradualmente até 15% em 2028. Já os apostadores pagam 15% de Imposto de Renda sobre ganhos líquidos anuais acima de R$ 28.467,20. Em 2025, a arrecadação federal com o setor somou quase R$ 10 bilhões, distribuídos entre segurança pública, esporte, saúde e educação.
A atuação do STF e a proteção de famílias vulneráveis
Preocupados com o impacto das apostas sobre a população de baixa renda, entidades como a Confederação Nacional do Comércio levaram o tema ao Supremo Tribunal Federal. Em novembro de 2024, o STF confirmou decisão que proíbe o uso de recursos do Bolsa Família e do BPC em plataformas de apostas, e reforçou restrições à publicidade do setor, vedando anúncios voltados ao público infantojuvenil e propagandas que tratem o jogo como forma de emprego ou solução financeira.
Os riscos financeiros de apostar
Como o resultado das bets depende do acaso, a chance de perder o dinheiro apostado é sempre maior do que a de ganhar. Um levantamento do Itaú mostrou que, em 12 meses até junho de 2024, os brasileiros apostaram R$ 68,2 bilhões e receberam de volta R$ 44,3 bilhões em prêmios, um prejuízo líquido de R$ 23,9 bilhões, equivalente a 0,2% do PIB nacional.
O cenário se manteve preocupante em 2025: segundo o Comsefaz e o Centro Celso Furtado, as bets retiraram R$ 62,5 bilhões líquidos da renda das famílias brasileiras naquele ano.
Chama atenção também um dado da Anbima/Datafolha: 20% dos apostadores brasileiros tratam as bets como uma forma de investimento, gastando em média R$ 284,81 por mês, bem acima da média geral de R$ 195,15. Boa parte desse grupo (39%) diz apostar em busca de dinheiro rápido para cobrir despesas do dia a dia, e mais da metade não tem reserva financeira para além de seis meses.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, 13% apostam de forma ativa, segundo o Datafolha. E a percepção de risco também cresceu: o percentual de brasileiros que associa as bets ao desenvolvimento de vício subiu de 54% em 2024 para 57% em 2026, enquanto 65% da população já defende a proibição total das apostas esportivas online.
Os jovens acabam sendo mais suscetíveis às bets e ao marketing envolvendo as casas de apostas. No médio e longo prazos, portanto, a saúde mental e a saúde financeira dos nossos jovens pode ser afetada, prejudicando toda a sua vida adulta.
É possível ficar viciado em bets?
Sim, e o vício tem nome técnico: ludopatia. Desde 2018, a Organização Mundial da Saúde reconhece o transtorno na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um transtorno comportamental que exige tratamento especializado, hoje oferecido gratuitamente pelo SUS em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Isso acontece porque a expectativa de ganhar ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina. Com o tempo, o cérebro se acostuma a esse estímulo e passa a exigir apostas cada vez maiores para sentir o mesmo prazer, um mecanismo parecido com o da dependência química.
No Brasil, os casos de ludopatia têm ganhado mais atenção da mídia, com relatos de pessoas que perderam economias, venderam bens ou contraíram dívidas para continuar apostando.
Como o tema pode cair na redação do Enem e dos vestibulares
O crescimento das bets e os desafios da sua regulamentação seguem entre os temas mais fortes para as provas de redação, por unirem questões sociais, econômicas e de saúde pública. Alguns recortes possíveis:
- Os impactos da popularização das apostas online na saúde mental e na economia das famílias
- O papel da publicidade e dos influenciadores digitais na difusão das bets entre os jovens
- Regulamentação estatal versus liberdade individual: até onde vai o papel do Estado
- Causas e consequências da dependência em jogos de apostas online
- Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?
Na hora de escrever, vale pensar nas consequências das bets para os brasileiros mais pobres e no papel de quem promove esse mercado. Como as promessas de dinheiro fácil influenciam as pessoas a apostar? Qual a responsabilidade dos clubes de futebol e dos influenciadores patrocinados por casas de apostas?
Também é importante citar quem fiscaliza esse mercado hoje, como a SPA, vinculada ao Ministério da Fazenda, e o próprio STF, que já interveio para proteger famílias vulneráveis. Para relembrar outras siglas do setor, confira nosso texto sobre o GOMIFES.
Redação pronta sobre o tema ‘Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line’
Leia uma redação pronta sobre o tema “Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line”>
A novela brasileira “Vale Tudo” retrata o endividamento de um homem após ele apostar altas quantias de dinheiro em jogos de azar virtuais. Analogamente à obra, nota-se que o advento dos jogos de apostas em meios digitais acentuou o vício em grande parte da população e implicou o acúmulo de dívidas financeiras por parte de diversos indivíduos. Dessa forma, é notória a urgência de combater o avanço das casas de apostas virtuais, um subproduto da influência digital irresponsável e da fragilidade socioeconômica do país.
Nesse sentido, é fundamental analisar os impactos da publicidade midiática na disseminação de jogos de azar. Em 2023, o programa jornalístico “Fantástico” exibiu uma reportagem que denunciava influenciadores envolvidos em propagandas ilegais da casa de apostas virtual Blaze. Diante desse cenário, observa-se o papel desempenhado por influenciadores digitais no incentivo às práticas de apostas irregulares, de modo a tornar os cidadãos suscetíveis ao desenvolvimento de vícios. Dessa maneira, ao visarem o lucro em detrimento da segurança financeira e mental da população, os criadores de conteúdo midiático corroboram a propagação de jogos de azar nocivos à sociedade.
Ademais, é importante salientar o modo como a desigualdade social acentua o desenvolvimento da ludopatia, vício em apostas, no Brasil. O livro “Six of Crows” aborda a dependência que Jesper adquire em jogos de azar após tentar utilizá-los como mecanismos para fugir da pobreza. Mediante o exposto, infere-se que os indivíduos em situação de vulnerabilidade social recorrem às casas de apostas na tentativa de reverter seu quadro socioeconômico. Todavia, essa prática não proporciona resultados efetivos, visto que apenas os insere em um ciclo de dependência e endividamento financeiro.
Portanto, são necessárias ações que minimizem o vício em jogos de apostas virtuais. Isto posto, cabe ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, órgão responsável por diminuir a vulnerabilidade social no Brasil, propiciar a garantia de segurança financeira, por meio de projetos que forneçam auxílio econômico e psicológico aos cidadãos sujeitos à dependência em jogos de azar, a fim de reduzir os riscos da ludopatia no território nacional. Além disso, é essencial que o Ministério Público penalize efetivamente os influenciadores envolvidos no incentivo às casas de apostas, por meio da aplicação de multas e restrição de publicidades, com a finalidade de evidenciar a seriedade da pauta.
Nota: 960
E, agora que você já aprendeu um pouco mais sobre o vício em jogos de azar e leu um texto pronto, que tal começar a praticar a redação? Com os planos da Imaginie, você pode ter correções de temas Enem em até 24h, monitorias e até imersões temáticas. Assine e busque a sua tão sonhada nota mil!
Foto do post: Reprodução/rupixen/Unsplash








