Quando um clássico da literatura grega vira filme dirigido por um dos grandes diretores da atualidade, a chance de ele aparecer na sua redação aumenta bastante. É o caso de A Odisseia, adaptação de Christopher Nolan inspirada na obra de Homero, que resgata a jornada de Odisseu de volta para casa após a Guerra de Troia.
Por trás da trama de aventura, a narrativa carrega temas que atravessam séculos e continuam atuais, o que faz dela um repertório sociocultural rico para quem está se preparando para o Enem e outros vestibulares.
Neste artigo, você vai entender por que essa obra funciona tão bem como repertório, quais temas ela pode sustentar e como estruturar uma introdução que já demonstre domínio sobre o assunto.
Por que ‘A Odisseia’ funciona como repertório para o Enem?
Escrita por Homero, A Odisseia é considerada uma das obras fundadoras da literatura ocidental. A narrativa acompanha Odisseu, rei de Ítaca, em sua longa jornada de retorno para casa depois da Guerra de Troia, enfrentando desafios que testam sua coragem e sua inteligência ao longo do caminho.
O que torna essa história especialmente útil para quem estuda para o Enem é que ela não fala só sobre mitologia grega. Os conflitos vividos por Odisseu, por sua esposa Penélope e por seu filho Telêmaco tocam em questões como guerra, identidade, família e convivência entre povos, temas que seguem presentes nos debates sociais contemporâneos.
A adaptação para o cinema reforça esse potencial, já que resgata visualmente esses conflitos e facilita a conexão entre a obra antiga e discussões atuais. Assim como filmes e séries podem virar argumentos consistentes na redação, essa adaptação amplia o alcance de uma obra que já era forte na sua versão literária.
Usar repertórios como esse na redação mostra ao corretor que o candidato consegue relacionar diferentes áreas do conhecimento com o tema proposto, o que é justamente o que a competência III do Enem avalia.
Guerra e poder: os impactos dos conflitos armados sobre o indivíduo
Depois da Guerra de Troia, Odisseu deixa de ser apenas o herói vitorioso e passa a carregar as consequências de suas próprias escolhas, que afetam sua identidade, sua família e a forma como ele consegue, ou não, voltar para casa.
Esse arco pode embasar redações sobre:
- Impactos dos conflitos armados na vida civil e psicológica dos envolvidos
- Cultura de violência e sua naturalização em diferentes sociedades
- Busca por glória e poder como motor de decisões destrutivas
Uma referência assim funciona bem em temas sobre saúde mental de veteranos de guerra, refugiados de zonas de conflito ou até discussões mais amplas sobre como a violência estrutural molda comportamentos individuais.
Machismo estrutural: a desvalorização da mulher em espaços de poder
Enquanto Odisseu está fora, Penélope administra o palácio de Ítaca sozinha, mas ainda assim, tem sua autoridade constantemente questionada pelos pretendentes ao trono, que acreditam que apenas uma figura masculina poderia legitimamente ocupar aquele poder.
Esse ponto da obra se conecta diretamente com temas de redação sobre:
- Desigualdade de gênero no acesso a cargos de liderança
- Machismo estrutural em espaços de decisão política e corporativa
- A legitimidade questionada de mulheres em posições de comando
É um repertório especialmente forte porque mostra que a desconfiança em relação à liderança feminina não é um problema recente. Pelo contrário: é uma estrutura social que atravessa milênios e ainda se manifesta hoje em conselhos administrativos, parlamentos e outros espaços de poder.
Ausência paterna e formação da identidade: a jornada de Telêmaco
Telêmaco cresce sem a presença de Odisseu e, quando adulto, parte em busca do próprio pai para entender sua história e o seu lugar em Ítaca. Esse trecho da narrativa evidencia como a ausência paterna afeta diretamente a formação emocional e identitária de um jovem.
Esse repertório pode sustentar argumentos sobre:
- Abandono parental e seus efeitos no desenvolvimento infantil e juvenil
- Vínculos familiares fragilizados na sociedade contemporânea
- Desenvolvimento emocional de jovens criados por famílias monoparentais
A força dessa referência está em mostrar que a busca por identidade de Telêmaco não é só um detalhe da trama. Trata-se de um retrato simbólico de algo que muitos jovens vivem hoje ao crescerem sem a presença de uma figura paterna.
Xenofobia e o dever da hospitalidade na Grécia Antiga
Um dos aspectos menos óbvios, mas mais interessantes de A Odisseia, é o conceito grego de xênia, a lei da hospitalidade. Na Grécia Antiga, existia o dever social de acolher viajantes e estrangeiros. Odisseu depende justamente desse princípio ao longo de toda a sua jornada de retorno.
Esse repertório se aplica com naturalidade a temas como a questão da xenofobia no Brasil, um dos eixos temáticos mais recorrentes na prova, além de intolerância cultural diante da diversidade de povos e direitos humanos ligados ao dever coletivo de acolhimento.
O contraste entre a xênia grega e a xenofobia contemporânea é justamente o que dá força argumentativa a esse repertório. Afinal, mostra que o valor da hospitalidade já era reconhecido há milênios, o que reforça o caráter urgente e evitável da intolerância atual.
Exemplo prático de introdução usando esse repertório
Para o tema “Os desafios para combater a persistência da xenofobia e garantir os direitos humanos”, uma introdução poderia ser construída assim:
Na obra A Odisseia, de Homero, o princípio da hospitalidade era um valor marcante da cultura grega, baseado no acolhimento e no respeito aos estrangeiros. Durante sua jornada de retorno para Ítaca, Odisseu depende da recepção de diferentes povos, evidenciando a importância da convivência com o outro. Entretanto, a persistência da xenofobia na sociedade contemporânea revela obstáculos para a integração de imigrantes e refugiados e para a construção de uma sociedade mais igualitária e acolhedora.
Note que o repertório aparece já na primeira frase, mas a redação não fica só descrevendo a obra. Ela usa A Odisseia como ponte para apresentar o problema real que será discutido no texto, que é exatamente o papel que um bom repertório sociocultural deve cumprir. Vale a pena comparar essa construção com exemplos de redações nota 1000 para entender como outros candidatos abriram o texto usando referências parecidas.
Como não errar ao citar essa obra na redação?
Alguns cuidados fazem diferença na hora de usar esse tipo de repertório:
- Não descreva a obra, use-a como argumento. Citar Odisseu e Penélope sem conectar a trama ao tema proposto é um erro comum. O repertório precisa sustentar uma ideia, não apenas demonstrar que você conhece a história.
- Cite a fonte da maneira correta. A Odisseia é atribuída a Homero, poeta grego, e a versão de 2026 é uma adaptação cinematográfica dirigida por Christopher Nolan. Mencionar os dois nomes corretamente evita imprecisões que podem custar pontos na competência II.
- Escolha o recorte certo para o tema do dia. A obra permite recortes bem diferentes entre si, guerra, gênero, família ou xenofobia, então vale treinar qual ângulo você vai usar antes da prova, de acordo com o eixo temático mais provável.
Se você quiser testar esse repertório na prática, vale a pena treinar com temas reais e receber uma devolutiva detalhada sobre como o argumento foi desenvolvido. A Imaginie oferece correção de redação com metodologia própria, o que ajuda a identificar se um repertório como esse está sendo bem aproveitado ou só citado por citar.
Resumo rápido
Agora, vamos recapitular o que discutimos:
A Odisseia (2026) é baseada no livro original de Homero?
Sim. O filme dirigido por Christopher Nolan é inspirado na obra épica de Homero e resgata a jornada de retorno de Odisseu após a Guerra de Troia, mantendo os principais conflitos e dilemas da narrativa original.
Posso citar só o filme ou também preciso citar o livro na redação do Enem?
Você pode citar tanto a obra literária de Homero quanto a adaptação cinematográfica de Nolan, desde que deixe claro qual está referenciando. O importante é que o repertório esteja conectado ao argumento, não à origem específica da referência.
Quais temas do Enem essa obra pode ajudar a argumentar?
Ela funciona bem em temas sobre impactos da guerra, desigualdade de gênero e liderança feminina, abandono parental, xenofobia e direitos humanos, entre outros recortes ligados a convivência social e conflitos humanos.
É arriscado usar repertórios muito recentes, como um filme de 2026?
Não, desde que a referência seja usada com precisão e conectada de forma clara ao tema. Repertórios atuais mostram atualização cultural, mas o mais importante continua sendo a qualidade da argumentação em torno deles.
Foto do post: Gerada com auxílio do Google Gemini








