Entenda a correção realizada pela Teoria de Resposta ao Item

Ana Massêo Enem e vestibulares

Você já reparou que a nota do Enem não é baseada no número de acertos ou erros? Ou seja, se você acertar 90 das 180 questões do Enem, não significa que a sua nota corresponderá a 50% do valor total atribuído a elas. Isso se deve, basicamente, à Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Fora isso, mesmo que você e o seu colega acertem a mesma quantidade de questões, a probabilidade de vocês tirarem a mesma nota é muito baixa. Então, nem adianta querer dar aquela espiadinha para o lado durante a prova, ok?

Gif de um grupos de estudantes tentando colar de uma aluna, mas disfarçando quando ela percebe.

Mas não se assuste, como são milhares de pessoas disputando por uma mesma vaga, a correção do Enem utiliza esse critério para tornar os resultados mais justos para todos os estudantes.

Então, para que você entenda tudo sobre como as questões de múltipla escolha da prova do Enem são avaliadas, hoje vamos falar sobre a Teoria de Resposta ao Item. Vamos lá?

O que é Teoria de Resposta ao Item?

Para começar, a Teoria de Resposta ao Item, também conhecida pela sigla TRI, é um modelo estatístico que consiste em identificar a proficiência do aluno não apenas de uma maneira quantitativa, mas também qualitativa.

Esse modelo leva em conta três parâmetros do modelo: discriminação, dificuldade e probabilidade de acerto ao acaso.

Ou seja, é uma forma de avaliar o nível de domínio de cada aluno sobre um determinado assunto, evitando que pessoas consigam uma nota boa apenas por conseguirem acertar muitas questões no chute. 

Enfim, a TRI é uma forma de tentar dar a nota justa para todo mundo. Afinal de contas, você que estudou o ano inteiro, com muita dedicação, não quer receber uma nota pior que alguém que apenas teve a sorte de chutar as respostas certas, não é mesmo?

Qual o objetivo da Teoria de Resposta ao Item?

Bom, além de evitar que algumas pessoas se deem bem na prova por sorte, a Teoria de Resposta ao Item tem o objetivo principal de tornar a prova comparável, ano após ano. 

Dessa forma, sendo possível acompanhar as escolas e o sistema educacional brasileiro. Afinal de contas, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), principal indicador que compara o nível da educação mundial, utiliza o TRI para fazer essa comparação. 

Como surgiu a Teoria de Resposta ao Item?

A Teoria de Resposta ao Item vem sendo desenvolvida desde os anos 50 para superar as limitações da avaliação apenas através de percentuais e, também, devido à dificuldade de se comparar resultados de diferentes testes em diversas situações.

Como a Teoria de Resposta ao Item funciona?

Para a Teoria de Resposta ao Item funcionar, é necessário que as questões passem por pré-testes para serem calibradas. Dessa forma, é possível entender o nível de dificuldade dos alunos em resolvê-la ou se há algum problema com a questão em si.

Depois desses testes, as questões são classificadas em níveis e espera-se que um aluno que sabe o assunto consiga acertar as fáceis e as difíceis, nessa ordem. 

Está um pouco confuso? Imagine um atleta que consegue saltar por cima de uma barra de 1 m de altura, o esperado é que ele consiga saltar por cima de barras mais baixas e tenha dificuldade em barras mais altas, certo?

Gif de uma corrida de obstáculos com um atleta passando por eles sem saltar.

Então, se um aluno acerta as questões difíceis, mas erra as fáceis, a Teoria de Resposta ao Item entenderá que aquilo foi um chute. Afinal de contas, se um aluno domina um certo assunto, o certo é ele acertar, pelo menos, as questões mais simples, né? 

Por isso, os estudantes que se dão bem na nota do Enem são aqueles que têm paciência na hora de realizar o exame e que dão prioridade às questões fáceis, que eles realmente têm domínio, evitando ser penalizados com isso.

É possível tirar total com a Teoria de Resposta ao Item?

Por incrível que pareça, só é possível atingir a nota 1000, exata, na prova de redação. Isso acontece porque a Teoria de Resposta ao Item analisa as questões considerando inclusive suas alternativas, então as notas máximas e mínimas de cada prova podem variar de acordo com o nível de dificuldade das questões presentes nelas.

Em 2017, por exemplo, a nota máxima da prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias foi 885,6 e a de Ciências Humanas e suas Tecnologias foi 868,3. Mas pode acontecer de alguma prova ultrapassar a nota 1000 também. 

E atenção: se você estiver na dúvida sobre alguma resposta, é melhor chutar do que deixar em branco. O chute não tira pontos da questão, mas talvez faça com que ela não seja tão valorizada. Já deixar em branco é erro garantido na questão.

Como é feita a correção pela Teoria de Resposta ao Item?

No Enem, os estudantes devem passar todas as suas respostas para a folha de gabarito oficial e, assim, podem levar os cadernos de questões para casa. Essas folhas são enviadas para uma base de dados e três equipes de especialistas, envolvendo estatísticos e matemáticos, que fazem a análise dos resultados com base na Teoria de Resposta ao Item.

Nesse processo, é usado um modelo estatístico com base probabilística para inferir os resultados. Por isso, mesmo conferindo o gabarito e analisando o número de acertos, só dá para ter uma ideia básica de como foi o seu desempenho no Enem quando o resultado individual é divulgado.

A grande questão é controlar a ansiedade e esperar os resultados oficiais do Exame que, normalmente, saem apenas no início do próximo ano. 

Gif de uma mulher roendo as unhas ansiosamente.

Bom, apesar de parecer um pouco complicado de entender, a  Teoria de Resposta ao Item é importante para garantir a vaga de quem realmente se preparou para isso. E, pensando no peso da nota da redação para a sua média final, confira o e-book de 10 passos para escrever uma redação nota 1000.

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